INDC é referência no tratamento da Ela

Dr. José Mauro Braz de Lima
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Jornal do SINTUFRJ – EDIÇÃO N1318 – 11 A 17 DE NOVEMBRO DE 2019

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O Instituto de Neurologia Deolindo Couto da UFRJ é referência no tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e na pesquisa sobre doenças do neurônio motor desde 1978.

Há 41 anos (desde 1978, há 47 anos hoje) a unidade é pioneira na pesquisa da doença e na assistência ao enfermo. A Ela ainda não tem cura, mas graças ao INDC a sobrevida do paciente pulou de três para seis anos em média

No Instituto de Neuro­logia Deolindo Couto (INDC), o setor de Doenças do Neurônio Mo­tor é referência em produ­ção acadêmica e de assis­tência da Esclerose Lateral Amiotrófica (Ela). A enfermi­dade afeta o sistema nervo­so de forma degenerativa e progressiva, levando à para­lisia motora.

Semanalmente, o ambu­latório da unidade atende, em média, dois casos no­vos da doença e realiza dez atendimentos de acompa­nhamento (às terças-feiras), inclusive de pacientes de outros países. O programa é coordenado pelo neurolo­gista Claudio Heitor Gress.

Pioneirismo

A pesquisa sobre a Ela e a criação do ambulatório es­pecial de Doenças do Neu­rônio Motor (DNM/Ela) são iniciativas pioneiras no Brasil e começaram no INDC em 1978 pelo profes­sor da Faculdade de Medi­cina da UFRJ José Mauro Braz de Lima. A doença era tema de sua tese de mes­trado em neurologia na universidade.

Nesses 41 anos de es­tudos e assistência a pa­cientes, foram produzidos numerosos trabalhos aca­dêmicos sobre a doença – os quais foram apresen­tados em congressos na­cionais e internacionais, simpósios e seminários – e publicados diversos arti­gos. A Ela também é tema de teses de doutorado e pós-doutorado, dissertação de mestrado e de ações de extensão.

“Somos uma referência clínica, científica e forma­dora da Ela por ser o INDC um hospital universitário público e do Sistema Úni­co de Saúde. Recebemos pacientes de todo o país. O que realizamos aqui é uma referência nacional e internacional”, atesta José Mauro.

Atendimento

O setor DNM/Ela dá ênfa­se ao atendimento familiar mais humanizado e conta com uma equipe terapêu­tica multidisciplinar para minimizar o sofrimento dos pacientes. São dois enfermeiros, uma nutricio­nista, uma fonoaudióloga, três fisioterapeutas e seis residentes. “Essa é a pecu­liaridade de um hospital de uma universidade pública federal, que reúne saberes e oferece serviços com a competência da UFRJ”, re­sumiu José Mauro.

A Fiocruz e o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, são parcei­ros do INDC nas pesquisas sobre a ELA, inclusive em trabalhos com instituições estrangeiras, informou Clau­dio Heitor. “O programa é robusto e já não é só do Ins­tituto de Neurologia”, desta­cou o coordenador.

Efeitos na vida das pessoas

“A sobrevida de quem tem a doença melhorou desde que esse ambulatório pas­sou a existir, há 40 anos”, disse Claudio Heitor. Ele estima ter aumentado de três a quatro anos em mé­dia para até seis anos o tempo de vida do paciente, e isso deve-se ao multipro­fissional e ao envolvimento da família. A doença, ele lembra, é fatal, mas tem tratamento que aumenta a sobrevida. “A gente não desiste do paciente e não é na fanática busca por cura. É um valor não tangível, e isso tem importância”, pondera José Mauro.

Nós e Ela é o título do livro que está sendo es­crito por José Mauro, pela ex-coordenadora do Pro­grama, Marli Pernes, que, assim como ele, mesmo aposentada continua tra­balhando na pesquisa do Ela, no INDC, e pelo atu­al coordenador Claudio Heitor, sobre os 41 anos de trabalho “sui generis e pioneiro”.

O Dia 29 – Por influên­cia do INDC, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) insti­tuiu o dia 29 de novembro como o Dia Estadual de Atenção e Cuidados da Ela – nesse dia, nasceu o neu­rologista francês Jean-Mar­tin Charcot, que descreveu a doença.

Indc Referencia No Tratamento De Ela 7
Publicado em: 31 de outubro de 2025

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